“Que gente somos nós…” escrevia eu, com esperança de que não fôssemos. Afinal somos. A ansiedade (para não dizer esperança, que os tempos não estão para isso) pode ser inspiradora. A decepção, não. Para a gente que somos não escrevo mais. Estou “política” com essa gente. (Na minha terra do Sul, estar “político” com alguém é (ou era, quando as pessoas não tinham vergonha de falar ao jeito da sua terra) estar zangado, de relações cortadas.
Para honrar o blog que a minha amiga Helena me criou por sua iniciativa (não sou desta era, embora me renda à eficácia destas maneiras de comunicar), vou mantê-lo com o que é mais meu: os escritos que quase todos os dias me acontecem sob forma de versos. Vou chamar-lhes “A poesia de cada dia”. Remete para o Padre-Nosso, eu sei, é de propósito: eu, que já não rezo, nem faço yoga, nem sequer ginástica, tenho estar forma de me encontrar comigo. Sempre assim escrevi desde que aprendi a escrever mas só me publicaram em livro (a minha amiga Luísa da Costa) quando já ia avançada na idade: 50 anos. Só a partir daí comecei a pôr regularmente esses escritos em letra de forma.
Saber, hoje, que bastantes pessoas deles se alimentam impele-me a usar este blog que a Helena me deu de presente. Vou cozer a decepção, respirar fundo, e deixar a pena correr. Talvez amanhã. Ou depois de amanhã…