quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Que gente somos nós (1)

QUE GENTE SOMOS NÓS se reelegermos o actual Presidente esquecendo o que a sabedoria popular há muito fixou em forma de provérbio: “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”.
   O Presidente diz que ainda tem que nascer outra vez (acreditará ele na reencarnação?) alguém que seja mais honesto do que ele. Uma pessoa honesta desconfia que o querem enganar ou comprar quando lhe oferecem de bandeja um negócio excessivamente vantajoso: percebe que ali há gato. No caso do BPN havia mesmo gatunos, como se provou. Só prenderam um deles mas continuam à solta muitos dos que perfilham os seus processos e estão prontos para recomeçar – se se realizar a aliança que se prepara entre o partido que os apoia e o Presidente que querem eleger para lhes dar cobertura. 
   O que está em causa não é apenas a inocência do Presidente ao aceitar que um Banco lhe ofereça, pelos seus lindos olhos, uma aplicação de capital com juros de 140%, é o facto do Presidente apadrinhar essas desonestas instituições. O Grande Economista (que afirma ser) pratica e apoia a economia de casino com roleta viciada que está neste momento a pôr em risco não só a soberania de Portugal mas a da própria Europa, sem falar no que se passa, e pelas mesmas razões, nos Estados Unidos da América.
   A gente que somos tem votado no actual Presidente porque não tem percebido que ele não é o que quer parecer: uma pessoa simples, que veio de baixo, sem outras ambições além das de servir o seu país. Até diz que o pai o pôs a cavar batatas, quando reprovou nos estudos…( Ficamos assim a saber que era preguiçoso ou pouco inteligente, o que o não favorece na fotografia…)
   O actual Presidente acusa os seus rivais de “radicais” e “aventureiros”. Sê-lo-á Manuel Alegre por andar “a avisar toda a gente”, como manda o poema, que o Presidente e o partido que o apoia se preparam para destruir todas as conquistas de Abril por um país mais justo? A “aventura” a que Manuel Alegre  nos incita é apenas a de nos batermos por continuarmos a ser cidadãos livres, com direito à sobrevivência e a um trabalho que nos faça sentir dignos e responsáveis. Essa gente do partido que  apoia Cavaco quer escravos baratos, e por isso, para que aceitem trabalhar ao mais baixo preço, lhes convêm os despedimentos fáceis e o desemprego. Essa gente quer escravos submissos, medrosos, e por isso acautela os portugueses contra “os aventureiros” que os avisam e desafiam para o protesto.
   A minha geração, que é a de Manuel Alegre, viveu a repressão salazarista da Pide mas, se conseguíssemos  tirar um curso e não ser presos, tínhamos trabalho assegurado. E tínhamos ideais e esperanças, o que dava dimensão às nossas vidas. Que mundo temos hoje para oferecer aos nossos jovens?  O espectáculo desse pântano em que os crocodilos da Finança se refastelam, e abocanham e devoram os que se lhe aproximam para também viver.
   É preciso secar os pântanos e exterminá-los! Tirar-lhes a pele e pô-la a render. E são os nossos jovens que têm que o fazer, porque só eles terão a energia suficiente para isso. Mas temos que ser todos nós, com o nosso voto, a impedir que essa gente tome de assalto o país e as nossas vidas. Que para isso se preparam, não duvidemos um segundo.

Teresa Rita Lopes, cidadã independente

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